
Com mais de um século de existência, o Parque de Serralves distingue-se, a nível nacional e internacional, pela notável diversidade de espaços naturais que refletem uma identidade ecológica única. Esta integração harmoniosa entre ambiente, paisagem e arte torna-o um exemplo de excelência.
A riqueza dos cenários que atualmente se podem apreciar resulta de uma gestão cuidada e constante, que abrange a manutenção e monitorização dos habitat, bem como a valorização do seu vasto património arbóreo e arbustivo. Estes elementos asseguram uma oferta diversificada que enriquece a cidade do Porto, a região, o país e se projeta internacionalmente.
A preservação do património natural, arquitetónico e paisagístico é uma prioridade para o Serviço de Gestão e Manutenção do Parque, que implementa regularmente atividades planeadas e sustentáveis. Ao longo do ano, a dinâmica da vegetação revela-se como um dos principais atrativos para os visitantes. Desde o coberto herbáceo às copas das árvores, todos os estratos vegetais são cuidadosamente mantidos, salvaguardando a integridade histórica e paisagística do espaço. Destacam-se, neste contexto, as intervenções contínuas em arboricultura e as plantações de espécies arbustivas autóctones.
Graças à influência do clima ameno proporcionado pela proximidade ao Atlântico, o Parque alberga uma impressionante coleção botânica com cerca de 10 000 exemplares, pertencentes a aproximadamente 230 espécies e cultivares, tanto nativas como exóticas, distribuídas pelos seus 18 hectares. Entre estas, algumas árvores destacam-se pelo seu porte, longevidade ou raridade, tendo algumas sido plantadas há mais de cem anos.
Do conjunto de espécies autóctones, sobressaem o teixo, o azevinho, o pilriteiro, o carvalho-alvarinho e o sobreiro. Entre as espécies exóticas presentes, encontram-se exemplares como a sequoia e a sequoia-gigante, o tulipeiro-da-virgínia, o cedro-do-atlas, o cedro-do-líbano, o castanheiro-da-índia, bem como rododendros, azáleas, faias e liquidâmbares. Este enquadramento vegetal acolhe, de forma permanente ou sazonal, uma grande variedade de fauna. É possível observar numerosas espécies de vertebrados selvagens, como pica-paus, corujas, musaranhos, morcegos, sapos e tritões, entre outros. A presença abundante de invertebrados, com funções cruciais na polinização e na manutenção da biodiversidade, reforça ainda mais a importância ecológica do Parque.
Na extremidade sul da propriedade encontra-se a Quinta de Serralves, que acolhe animais de raças autóctones, como o burro de Miranda e bovinos das raças Arouquesa, Barrosã, Marinhoa e Jarmelista. Estes exemplares complementam a representação da paisagem rural da região de Entre Douro e Minho, que se caracteriza por elementos como as vinhas em ramada e os prados naturais.
O valor do Parque assenta tanto na sua rica história e memória como na diversidade biológica que preserva, assumindo um papel ímpar na cidade do Porto e na sociedade. A sua ampla adesão por diferentes públicos transforma-o num espaço privilegiado de ligação entre natureza e paisagem, promovendo experiências partilhadas e a disseminação de conhecimento.
Resultado de um esforço contínuo de conservação e valorização, o Parque é hoje reconhecido como um espaço público inclusivo, onde se promove a cultura e o saber, em permanente ligação com a natureza.