O complexo de charcos de Serralves constitui um espaço de elevado valor ecológico, paisagístico e pedagógico, situado na zona do lameiro da Quinta de Serralves. A sua importância reside nos múltiplos serviços prestados por este ecossistema, tanto na conservação de espécies de fauna e flora, algumas delas ameaçadas em Portugal, como nas oportunidades estéticas e educativas que proporciona, valorizando simultaneamente a biodiversidade e a sensibilização ambiental. Nestes charcos, é possível observar diversas espécies de plantas aquáticas com relevância ecológica, como o nenúfar-amarelo (Nuphar luteum), o nenúfar-anão (Nymphoides peltata), o junco-florido (Butomus umbellatus) e o limo-cabelo (Potamogeton trichoides), entre outras. Este habitat desempenha ainda um papel fundamental na preservação de anfíbios, servindo de refúgio à rã-verde (Pelophylax perezi), frequentemente avistada, e a outras espécies mais discretas, como a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra), o tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai) e o tritão-marmorado (Triturus marmoratus).
Este conjunto de seis pequenas massas de água foi criado em 2019, no lameiro já existente da Quinta, embora os primeiros projetos de escavação de charcos no Prado remontem aos anos 80. A sua conceção e implementação foram cuidadosamente planeadas, com escavações adaptadas e a introdução de espécies aquáticas nativas, com o objetivo de reforçar a biodiversidade local e valorizar o enquadramento paisagístico do espaço.
O complexo assume-se, assim, como um verdadeiro laboratório ao ar livre, integrando um programa educativo direcionado a escolas e famílias. Este programa visa promover a biodiversidade urbana e fomentar o conhecimento sobre os processos biológicos das espécies que habitam este ecossistema.